A Freguesia

Freguesia de Tendais

A Freguesia de Tendais é composta por 15 lugares habitados, na sua maioria localizados na margem esquerda do rio Bestança, à excepção do lugar de Soutelo, o único situado na margem direita daquele curso de água. Tendais não existe enquanto povoação, correspondendo à designação da freguesia que congrega todas as aldeias.

Com um tipo de povoamento concentrado que caracteriza o curso superior do Vale do Bestança, é a influência do mesmo rio e da Serra do Montemuro, em cujas encostas se implantam, que tem condicionado o carácter das várias aldeias de Tendais.

A região é essencialmente rural e os seus habitantes, ainda hoje, se dedicam na sua maioria a actividades agrícolas cultivo do milho, do centeio, da batata e da castanha) e pecuárias, com especial destaque para a criação de gado bovino da característica raça arouquesa, a par do chamado "gado miúdo"- ovinos e caprinos. Destes, destaca-se a "vigia" (prática de apascentar em rebanho comum todas as cabeças de gado miúdo de uma determinada aldeia ao cuidado diário de cada um dos proprietários em tempo directamente proporcional ao número de animais que possuem)

A "partilha das águas", engenhoso e antigo sistema de divisão horária das águas de rega provenientes dos afluentes do Rio Bestança algumas de provável origem medieval, regula a utilização deste bem no período de maior escassez, entre os dias de S. João (24 de Junho) e de S. Miguel (29 de Setembro).

Na freguesia situam-se alguns dos lances geomorfológicos da serra de Montemuro, entre os quais se destaca o alto do Perneval - segundo ponto mais alto da Serra do Montemuro com 1278 m de altitude - e o planalto de S. Pedro de Campo, caracterizadas pela presença de vegetação arbustiva pobre e de abundantes afloramentos de blocos graníticos, em geral de grandes dimensões.

As encostas de grande pendente que bordejam o Rio Bestança e os restantes cursos de água menores da sua bacia hidrográfica (Ribeiros de Barrondes, das Canadas ou da Galeira) são áreas de terrenos férteis, verdes durante a maior parte do ano graças à elevada pluviosidade local e à abundância das águas de rega disponíveis.

A prática agrícola em socalcos foi o recurso encontrado pelas populações locais para vencer os desníveis das vertentes e praticar uma agricultura semi-intensiva, em que as culturas alternam com o lameiro (produção de erva e feno para consumo animal) e o recurso a fertilizantes naturais é ainda a regra. A propriedade minifundiária domina a paisagem, sobretudo na zona denominada «Ribeira», abaixo dos 500 metros de altitude.